Muitos são os que se dizem civilizados, pregam a paz entre os homens e, muitas vezes escondidos atrás de uma gravata, teimam em tirar o escalpo do seu semelhante...

 O homem, independente de religião, raça ou posição social, nasce, vive e morre. Lembranças serão esquecidas na cadência evolutiva de um tempo que não retrocede. Mas, não é exatamente o fim... a matéria apenas se transforma, assim, dando origem a novos elementos, a história do homem continua...!

Por J. Francisco 

PASSADO 

Nas noites ditas de inverno

Fui o leito frio da rua...

Sem paz, sem calor, sem terno.

Sem amor, sem luar, sem lua...!


Nos dias ditos de inferno

Deglutei a verdade nua...

A história ficou no caderno,

As marcas na alma nua...!


Descrente fui da razão;

Como cego em confusão

Me vi em pleno alvoroço...!


Hoje de alma ferida

Às vezes digo à vida:

- Eu vi o fundo do poço...!                                                   


                           J. Francisco        

DESEJOS 

    A noite se fazia fria e escura aquela vez. No leito desordenado e solitário do meu quarto, pensamentos incoerentes explodiam na minha mente, me fazendo acalentar a vil insônia que varava a madrugada.  Olhei de soslaio para a velha escrivaninha onde repousava um livro de Jorge Amado e senti-me como um Pedro Bala da vida. Foi quando percebi a porta se abrindo lentamente. De cabelos pretos alongados, de olhar altivo e belo, lá estava ela...! O coração, traiçoeiro e inquieto, ameaçou desintegrar-se por completo. Nada mais compreensivo...já que ela era a própria ''Vênus'' disfarçada de ser humano. Seu vestido negro e quase transparente enchia de desejos aquele lugar triste  sem paz e sem sossego, no qual eu sonhara com esse momento por inúmeras vezes antes de conseguir dormir. Levantei-me! Meio desconcertado segurei suas mãos como se estivesse segurando as mãos de Afrodite. Minhas pernas começaram a dar sinais de tremor, meus olhos embotados de lascívia, nada mais viam além daquele corpo escultural, que o vestido escondia. Subi a mão lentamente para seus seios rijos e ao sentir a maciez aconchegante do seu corpo, algo frustante aconteceu. Maldito relógio! O alarme perverso do despertador me  informava a hora de ir trabalhar. Acordei-me! No quarto, nem cabelos ondulados, nem vestido negro. Só o desejo ainda persistia em mim...! Desliguei o infeliz relógio e na esperança de concluir o sonho, dormi novamente e não fui trabalhar...!

                 J. Francisco

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Encontro Marcado 

Um dia nos encontraremos...

E seremos só nós...
Acabar-se -a meu lamento
O meu antigo tormento
Findar-se-a minha voz
Um dia nos encontraremos...
E eu encontrarei o silêncio
dos teus olhos frios
Minha última lágrima !
E desejarás o meu corpo
sem pudor e sem medo...
E desvendaremos segredos.
E seremos só nós...!
Um dia nos encontraremos
em qualquer lugar.
Seja inverno ou verão !
E descerá a cortina do tempo
O manto negro que o destino prediz.
E a platéia jamais me ouvirá...
Nossa história alguém contará
e serei mais feliz...!
Um dia nos encontraremos...
E me darás teu beijo preciso.
E te darei meu melhor sorriso.
E juntos partiremos !
E "ao pó voltarei"...
E vestirei o teu terno !
Estaremos então saciados
como amantes calados
num último abraço, eterno...!

Autores:  J. Francisco (Wzezito) e Moésio Barbosa
 

.Sou eu 

Eu sou..
O sorriso da dor,
O prazer do momento,
O espinho sem flor,
A tempestade sem vento! 

Sou eu...
A certeza da morte,
A beleza amputada...
O guerreiro sem sorte,
O desvio da manada!
O andarilho perdido
O medo escondido e 
A poeira da estrada!

J. Francisco 

 Tradutor de Voz

 

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